quarta-feira, 13 de abril de 2011

O primeiro beijo é o começo daquela vibração mágica
que transporta os amantes do mundo das coisas e dos seres
para o mundo dos sonhos e das revelações

                                                                  ~ Gibran Kahlil Gibran ~
As almas se encontram nos lábios dos enamorados
                                    Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
Kiss, beso, kissu, küchen, baiser, tzub, su-ub, pitér, felia, xkyss, potselui, neshiká: beijos em várias línguas.
Poucos prazeres físicos podem ser comparados ao proporcionado por um bom beijo, daqueles demorados, intensos e saborosos, os rápidos e ardentes ou até mesmo o roubado. Um especialista no assunto já catalogou mais de 484 tipos diferentes de beijo...
Segundo os historiadores, antigas civilizações tinham por costume passar alimentos mastigados para os filhos pequenos, boca-a-boca. E isto poderia ocorrer até mesmo entre adultos. O beijo também pode ter nascido de uma necessidade de povos antigos de fazer o aquecimento das vias orais, durante o inverno, soprando ar quente na boca e nas bochechas do outro. Também cogita-se que o beijo venha do costume de algumas sociedades de "provar" o outro com a língua. E isso pode ter chegado na boca. Independentemente de sua origem, o beijo fez o maior sucesso entre a maioria dos povos. Atualmente, é rara a cultura que não tenha no beijo uma tradição. Nem que este seja um simples esfregar de nariz, como o singelo beijinho de esquimó.
Prometendo a mesma inocência, a moda do selinho já é uma conquista definitiva. A onda, que vem do Rio de Janeiro, é o beijo "selinho" (só o toque dos lábios). Um fato verificado normalmente entre pessoas do meio artístico e que era comum entre universitários em décadas passadas. Agora, começa a ser observado em todos os segmentos da sociedade. Estes podem até chocar os mais conservadores, mas são dados com naturalidade.
Ao contrário do que muita gente pode pensar, trocar um selinho com uma amiga não significa que se está querendo algo mais. Pode até parecer que seja, mas fica muito longe disso. É apenas um modismo (que veio para ficar), uma forma de mostrar afeto entre pessoas íntimas. O beijo é uma demonstração de intimidade socialmente aceita. E o beijo de língua corresponde a um ato sexual leve. Se o beijo ´esquenta´, o resto então... O beijo tem a ver com conquista, afeto. É por isso que o beijo é praticamente inexistente quando os casais estão em crise, por exemplo.
Há 18 tipos de "selinho". Tem o seco, o molhado, o de canto de boca, com a pontinha da língua etc. Tem mais, muito mais...
A palavra beijo é derivada do latim: "basium" é o beijo mais romântico, apaixonado, na boca; "saevium", o beijo delicado e terno; e "osculum", o que é dado na face. O ato em si é capaz de movimentar 29 músculos, 12 dos lábios e 17 da língua. Durante um beijo, a pulsação cardíaca pode subir para algo em torno de 150 batimentos por minuto. Também ajuda a queimar calorias, de três a 15, num beijo bem intenso.
E entre carícias e beijos,
Que despertam os desejos...
Só queremos amar...
Mas qual é o melhor beijo? O melhor beijo é aquele onde há total entrega. Não há quem não saiba beijar; há, sim, bocas, que não se combinam. E aí não adianta querer ensinar o outro a beijar porque estas bocas, na verdade, nunca se combinarão. E quem beija melhor, o homem ou a mulher? A mulher, claro. Ela se entrega para o beijo, está mais acostumada a ceder. O homem, normalmente, não se liga na entrega. Ele vê mais o beijo como uma atividade que precede o ato sexual.
Povos primitivos acreditavam que o beijo funcionava como um mecanismo que tinha a ver com o encontro de almas, ou melhor, com a incorporação delas no momento em que uma pessoa expelia o ar quente da respiração para a boca do companheiro. Na Antigüidade, o beijo na boca era usado para saudar um amigo, desde que este fosse do mesmo nível social, como era o caso dos persas. Pessoas de classes sociais diferentes beijavam-se no rosto.
Na Grécia, beijo na boca é só entre pessoas da mesma família ou amigos bem próximos. Na Inglaterra, por volta do século 12, o beijo funcionava como uma espécie de pacto entre o vassalo e seu senhor, que por sua vez o protegia. O pacto só era quebrado com a morte de um dos dois. Este costume foi abandonado quando chegou a peste.
Na Escócia antiga, ao declarar os noivos marido e mulher, era o padre quem beijava ambos nos lábios. Era um tipo de benção, e dela, acreditavam, dependia a felicidade do casal. Estranho? Mas não era só isso, para a felicidade do casal ficar ainda mais garantida, a noiva deveria beijar todos os convidados do sexo masculino, na boca, claro. Mas beijo era coisa séria mesmo para os italianos do século 15. Se um homem fosse pego beijando uma mulher em público era obrigado a se casar com a donzela.

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